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Recife Pernambuco
Recife - Deixe sol e mar para depois. Pernambuco
respira cultura, terra de mestres como Cícero Dias, Chico Science, Alceu
Valença, Gilberto Freyre, Lenine e Ariano Suassuna. Recife, a capital, e
sua vizinha Olinda, merecem, juntas, dias a fio de visita. São as
estrelas do trio história-arte-culinária do Estado.
Cidade das águas, cortada por rios e pontes que datam
desde 1643, banhada pelo mar, Recife é carinhosamente chamada de Veneza
brasileira. "Está mais para Florença, pelo casario histórico e o
Rio Capibaribe", argumenta o artista plástico Francisco Brennand,
ilustre morador desde a infância. De fato, seu grande trunfo são
precisosas construções coloniais, legado português e holandês - da
bela Praça da República, cercada de palmeiras imperiais, ao revitalizado
bairro do Recife Antigo, com sobrados tomados de bares e galerias. Um
exercício de descoberta a cada ruela.
Ali, na Rua do Bom Jesus, reduto dos primeiros judeus
que chegaram à América, a calçada toma ainda mais vida quando o sol se
vai. Mesinhas lotadas e palcos improvisados de MPB ao vivo dão o clima de
boemia. E nostalgia. Na extensa Avenida da Boa Viagem, outra faceta, a
moderna: um emaranhado de prédios à beira-mar, endereço dos principais
hotéis, casas noturnas e restaurantes de cunho internacional.
Mas se a idéia é "comer com arte", Olinda
é a pedida, dia ou noite. Primeira capital de Pernambuco, repleta de
igrejas, conventos e casario colorido, ela é também a cidade dos
artistas - têm mais de 50 ateliês no centro histórico. Sérgio Vilanova
e suas pinturas, Iza do Amparo e suas criações em tecido, Silvio Botelho
e os bonecos gigantes do Carnaval...
Entre uma prosa e outra ladeiras abaixo, parada numa
simples portinhola: Oficina do Sabor. Esta, porém, uma casa gourmet, um
dos charmosos restaurantes locais que vendem peças de artesanato e servem
pratos caprichados. Do terraço, a visão privilegiada da cidade declarada
pela Unesco Patrimônio Cultural da Humanidade. Ao fundo, o mar. E uma
lembrança da História. "Oh linda situação para se construir uma
vila", disse Duarte Coelho, donatário da Capitania de Pernambuco, em
1535.
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