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RECIFE - A NOVA CARA DO NORDESTE
Renovada e vibrante, a cidade dos canais é hoje um
grande destino que inclui a histórica Olinda e as belas praias das
redondezas
No Largo de Santa Cruz, um grupo de dezessete
mulheres reza fervorosamente a novena em frente à igreja, também de
Santa Cruz. Do outro lado da rua, seis homens de meia-idade jogam
dominó animadamente e tomam cerveja, sentados em mesinhas na calçada
de um bar. A 10 metros dali, uma estranhíssima bomba de gasolina,
cimentada no meio da rua, abastece o carro em que estão quatro jovens
de classe média, que perguntam ao frentista onde fica a nova boate da
cidade, chamada Doktor Froid.
Se alguém chegasse a Recife naquele momento poderia
ter uma idéia razoável do que é a capital de Pernambuco: uma mistura,
às vezes confusa, de gente e hábitos diferentes em meio a cenários
belíssimos, formados por prédios de trezentos anos de idade, de um
lado, e de praias cujo mar, de tão verde, se torna fluorescente, do
outro lado.
São pelos menos duas cidades dentro de uma mesma
Recife: a tradicional, do casario colonial, e a que se renova à
beira-mar para os lados de Boa Viagem. Nas duas, no entanto, há
centenas de barraquinhas onde se vende de tudo: de artesanato legítimo
a badulaques diversos, num clima de paz e amor, que é um indício de
que, pelo menos ali, o sonho não acabou.
Outra tradução da cidade pode ser feita a partir da
cena insólita no saguão do Aeroporto de Guararapes, onde a
recepcionista da locadora de automóveis está atendendo o quarto
cliente dos últimos dez minutos. Ela preenche a ficha cadastral -
aquela que tenta comprovar que você é você mesmo -, os formulários e
a papelada do seguro. Livre da burocracia, ela estende a mão na
direção do cliente e lhe entrega a chave do carro. Por último, repete
pela quarta vez o aviso, quase ameaçador: "Cuidado com o
trânsito, moço. Temos tido muitos sinistros por aqui".
A frase parece uma forma sinistra de dar as
boas-vindas ao turista que chega a Recife. Mas, na verdade, a cidade
mais acolhedora do Nordeste tem - certamente - o pior motorista do
país. Se você quiser viver fortes emoções, não tenha dúvidas:
alugue um carro e dê uma volta pela cidade. Antes, no entanto, procure
um cardiologista para checar se você está apto a suportar tamanha
tensão. O recifense, ao volante, é um perigo.
O motivo de tanta velocidade irresponsável talvez
seja a existência de novas avenidas, largas, muitas vezes sem sinais
por longos trechos, que ligam Boa Viagem ao Recife Velho. Elas
começaram a surgir em grande quantidade, talvez no mesmo ritmo que
agora aparecem as proibidas casas de videopôquer (diversões
eletrônicas para adultos) em Boa Viagem dissimuladas por luminosos,
que, curiosamente, também têm a forma de carros. É uma das fixações
dos recifenses.
Mas, se é recomendável fugir do volante, conhecer a
cidade a bordo de um táxi é uma excelente alternativa. Além do preço
acessível, há outra vantagem. Os taxistas locais são ótimos guias e,
mais que isso, são capazes de contar histórias e mais histórias da
Recife que esteve 24 anos sob o domínio dos holandeses (no século 16)
e da Recife que, depois disso, recebeu os portugueses.
É bem provável que a mistura da influência de
diferentes colonizadores tenha levado à criação de um gene
específico de brasileiro, diferente daquele existente no restante do
país. E, em Recife, o tal do gene é arrebatador. Não é à toa que a
cidade não lembra em nada outras capitais nordestinas: todos os
serviços funcionam perfeitamente e ainda há a vantagem de o recifense
ser meio acelerado, sem a falada malemolência dos nordestinos de outras
cidades.
Exemplos de que a coisa dá certo: se você precisar
acordar às 5h no hotel em que está hospedado, tenha a certeza de que o
telefone tocará pontualmente nesse horário. Se o garçom afirma que o
prato será servido em dez minutos, batata, pode acreditar que se
realizará.
Não é só o atendimento que chama a atenção. O
recifense está sempre de bom humor e é muito generoso. Se você pede
uma informação no trânsito, ele encosta o carro, desce e começa a
explicar como se chega ao destino com uma paciência incomum em cidades
grandes. Muitas vezes, pede que o siga e é capaz de entregá-lo em
domicílio. Talvez por isso o ambiente na cidade seja acolhedor e
alegre.
Mesmo com todos os seus aspectos regionais, Recife é
uma cidade grande, espalhada, cujos subúrbios se fundem aos de cidades
vizinhas. Deixando os limites municipais, pelo menos dois passeios são
imperdíveis: Olinda e Porto de Galinhas. A primeira está a apenas dez
minutos de carro da capital, é patrimônio da humanidade (tombada pela
Unesco), e tem - como Ouro Preto -diversas igrejas e nichos sacros. Mais
precisamente, dezoito, somente na área tombada.
Às vistas dos olidenses da Cidade Alta (que é a
parte antiga), todos nós, brasileiros que não nascemos ali, somos tão
estrangeiros quanto alemães que usam bermuda marrom, meia soquete
preta, tênis branco e camisa listrada verde e cinza, com uma caneca de
cerveja na mão. Mas não estranhe, pois se você estivesse em Paris
seria olhado da mesma maneira.
Quando você avançar pelas ladeiras de pedra, que
formam um sobe-e-desce interminável, meninos irão se oferecer para
servir de guia. Não se assuste. Eles só querem receber um trocado ao
final das explicações históricas. Detalhe: divirta-se com a rotação
78 utilizada por eles durante o roteiro. Às vezes não se consegue
entender nem uma preposição.
No final do passeio, se já for noite, aproveite para
escolher um dos bares da orla de Olinda, que invariavelmente ficam
abertos até a madrugada, mesmo quando chove. O segredo é que esses
bares têm público cativo. No Marisqueira, vale pedir coelho
acompanhado de arroz e feijão verde. É tão saboroso que,
recentemente, o ator e cantor Maurício Mattar chegou a comer três
pratos seguidos. Não se sabe se ele conseguiu voltar ao palco no dia
seguinte.
Mas a atração que tem levado mais e mais turistas a
Pernambuco - o número de visitantes dobrou nos últimos três anos,
chegando a 660 mil pessoas em 1994, segundo os levantamentos do governo
do Estado - atende pelo nome de Porto de Galinhas. Trata-se de uma
série de praias localizadas no litoral sul de Pernambuco, no sentido de
quem vai a Maceió, chamadas Cupe, Muro Alto e Serrambi. A região é
maravilhosa.
Não pense, no entanto, que você é um Robson
Crusoé chegando a uma ilha deserta. Outros Crusoés - e mais algumas
dezenas de "Sextas-feiras" - conseguiram chegar antes. Mas
fique tranqüilo: Porto de Galinhas está a salvo. Por enquanto.
As piscinas naturais estimulam o dolce far niente.
Para aqueles que aproveitam os momentos de lazer para fazer esportes,
há inúmeras opções, inclusive - e principalmente - o mergulho com
máscara e snorkel. Já para os amigos da lei do menor esforço,
aconselham-se passeios de buggy, de ultraleve, de jangada e, em último
caso, a pé.
Um observador mais atento notará que o mais
importante a considerar - tanto em Galinhas, como em Olinda e em Recife
- é o comportamento cordial das pessoas. A forma como os habitantes da
região recebem quem acaba de chegar de fora torna essas cidades ainda
mais especiais, independentemente de sua infra-estrutura. A conclusão
é que, com certeza, Recife, Olinda e Porto de Galinhas são cidades de
gente feliz.
BOX-1
O QUE FAZER EM...
1-DIA
Fazendo um roteiro enxuto, podem-se conhecer Recife
e Olinda em um dia
Manhã
Acorde às 6h para ver o nascer do sol em Boa Viagem.
No Bairro do Recife, o centro histórico, passeie a
pé e, depois, almoce no Mafuá do Malungo,
um bar localizado na casa
onde nasceu o poeta
Manuel Bandeira.
Peça um carpaccio de haddock.
TARDE
Vá a Olinda. Não perca tempo com a cidade nova.
Siga pela 15 de Novembro e suba as ruelas a pé, passando pelo Mosteiro
de
São Bento até chegar ao Alto da Sé.
NOITE
Jante em um dos bares
da orla de Olinda, como
o Marisqueira ou o Mourisco.
2-DIAS
Bares como o da Mira, em Casa Amarela, merecem
ser visitados
2o DIA - Manhã
Tome sol na Praia de Boa Viagem. Almoce carne-de-sol
especial no restaurante Edmilson.
TARDE
A Casa de Cultura
de Pernambuco é o shopping
do artesanato local, com produtos
feitos pelos artesãos de Recife
e do interior do Estado. Se preferir um programa mais
urbano,
vá ao Shopping Center Recife, lugar de gente bonita.
NOITE
Passe no Largo de Santa Cruz.
Em frente à igreja, mulheres rezam
novena a partir das 19h. À noite, vá ao Bar da
Mira. Nas paredes, as fotografias dos freqüentadores que fazem a
história da casa.
3-DIAS
Não deixe de ver as peças em cerâmica em
exposição na Oficina Brennand
3º DIA - MANHÃ
Vá novamente ao Bairro do Recife e não tenha
vergonha de
pedir para entrar no casario histórico.
As pessoas são sempre atenciosas.
TARDE
Visite a Oficina Brennand, a
16 quilômetros do centro de Recife,
onde está o acervo do artista
plástico Francisco Brennand.
NOITE
Olinda merece outra visita noturna. Coma tapioca em
uma das barraquinhas do Alto da Sé e beba uma caipiúva. Trata-se de
uma criação dos locais,
caipirinha à base de uva.
7-DIAS
Se você tem uma semana aproveite para conhecer Porto
de Galinhas e a Ilha de Itamaracá
4º e 5º DiaS
Passe estes dois dias em
Porto de Galinhas. Vá logo cedo
e volte no final da tarde.
6º Dia
Conheça a Ilha de Itamaracá,
no litoral norte de Pernambuco.
Há excursões diárias,
basta se informar no hotel.
7º Dia
Estire-se na areia de Boa Viagem, em frente ao
edifício Portugal, e desfrute o seu último dia em Recife. Dica: peça
bebidas
e petiscos na barraca do Elói,
que sempre atende muito
bem os fregueses.
BOX-2
ONDE?
COMER Moqueca de camarão (foto) é o prato mais
pedido nos restaurantes de Recife. Na maioria deles, a fartura é tanta
que uma porção satisfaz três pessoas.
É assim no Bargaço
(Av. Boa Viagem, 670),
que cobra R$ 24,80.
Outra especialidade é a carne-de-sol. No Edmilson
(R. José Trajano, 82),
peça carne-de-sol especial, para três pessoas, que
acompanha farofa de jerimum, manteiga de garrafa,
queijo de coalho, aipim cozido
e batata-doce (R$ 23,90).
A opção menos regional é o
restaurante Marruá (R. Ernesto
de Paula Santos, 183,
Boa Viagem), especializado em churrasco.
DORMIR Os melhores
hotéis estão nos bairros de Boa Viagem, a poucos
metros da praia. Os mais caros, como o Sheraton Petribu
(Av. Bernardo Vieira de Melo,
1624) e o Recife Palace Lucsim
(Av. Boa Viagem, 4070),
são de nível internacional.
Entre as opções mais baratas (média de R$ 35 por
dia) estão pousadas como
a Portal do Sol (Av. Cons.
Aguiar, 3217) e a Praiamar (Av. Boa Viagem, 1660).
BOX-3
Compras
Casa da Cultura de Pernambuco,
na R. Floriano Peixoto, s/nº,
bairro de Santo Antonio;
Mercado de São José,
Pátio de São Pedro
(ambos no bairro de São José).
Em Olinda, nos mercados
da Ribeira e Eufrásio Barbosa.
Não esqueça de levar
Tudo o que é necessário para passar alguns dias em
uma cidade de praia:
protetor solar, creme hidratante, boné, óculos
escuros.
E, é claro, muito humor.
Temperatura
Em novembro, varia entre 26 e 36 graus. A partir de
dezembro,
até fevereiro, a máxima chega a 40 graus.
Meio de transporte
As corridas de táxi são muito baratas e os
motoristas, ótimos guias turísticos. O ideal é tentar alugar uma
bicleta para passear pela orla, desde Piedade até o bairro do Pina. No
centro histórico passear a pé é a melhor opção.
Chances de chover
Nos últimos meses do ano, até dezembro, a chuva é
raríssima. Em janeiro,
é inevitável no início do mês.
Para chegar lá
Todas as companhias aéreas têm vôos regulares para
Recife, mas somente Transbrasil, Varig e Vasp têm vôos diretos
semanais. De carro a principal via de ligação é a BR-101. De ônibus,
a empresa que tem linhas para a maioria dos Estados é a São Geraldo.
O TOQUE DO AUTOR
"A Praia de Boa Viagem tem uma atração que
poucos sabem aproveitar, embora seja óbvia: os recifes. No final da
tarde, nos horários de maré baixa, o melhor programa para fazer na
praia é sentar em cima deles para conversar com os amigos ou,
simplesmente, para apreciar o pôr-do-sol."
RECIFE NÃO É MAIS AQUELE... OLHA A CARA DELE
Se você me conhecesse, diria que eu sou suspeito.
Afinal, nasci aqui, no Recife. E se baianos e cariocas gostam das suas
cidades, o recifense é simplesmente apaixonado pela sua terra.
Principalmente, aqueles que conhecem - e bem - o casario da Rua da
Aurora, os sobrados de quase 400 anos da Rua do Bom Jesus, o caminho das
pedras (quer dizer, dos corais) de Boa Viagem, os botecos e restaurantes
que não aparecem nos roteiros turísticos e uns cantinhos que
até mesmo muitos recifenses ignoram. Eu sou um desses. Ainda mais
agora, que a cidade está mais bonita, limpa, charmosa e animada. E
depois de conhecer o meu Recife e todos os seus encantos, você saberá
porque eu gosto tanto daqui.
Quem vem gosta e quem gosta vem! Terra bonita como
essa, no mundo não tem." Digamos que o vendedor de sombrinhas de
frevo da Praça de Boa Viagem exagerou no entusiasmo. O Recife não
é a terra mais bonita do mundo - e isso, até eu, que sou
daqui, reconheço. Mas que "quem vem gosta e quem gosta vem",
isso é quase certo. E agora mais do que nunca. A cidade, que
sempre foi bonita, está ainda mais encantadora. As praias estão mais
limpas, o Recife Antigo - o lado boêmio da cidade -, mais animado e o
povo, ainda mais alegre e camarada. E as pontes que atravessam os rios
Capibaribe e Beberibe foram pintadas, deixando a Veneza Brasileira mais
elegante.
Numa caminhada pela Rua do Bom Jesus, uma das mais
antigas do país, já dá para sentir o clima. Muita gente bonita nos
bares e passeando pelo calçamento de pedra dessa rua fundada em 1636,
durante o domínio holandês - a arquitetura do casario mostra bem isso.
De repente, um passista de frevo aparece pulando feito uma mola. Em
seguida, é o capitão do Cavalo-Marinho - personagem de uma
brincadeira regional -, que vem rodando de um lado para outro, como
peão. Todo colorido e espalhafatoso. Como é, na essência, todo
pernambucano arretado. A própria bandeira do Estado incorpora essa
alegria. Tem estrela e sol amarelos, uma cruz vermelha, fundo azul e
branco e até um arco-íris. Os artistas locais pegaram essa idéia
colorida e desenharam uma camiseta que reproduz a bandeira e vende que
é uma beleza. Eu, é claro, tenho a minha. E duvido que você
volte sem uma.
A restauração que transformou o Recife Antigo de
zona de meretrício e bandidagem em um dos mais belos pólos culturais e
gastronômicos do país acaba de contagiar o Pátio de São Pedro, o
novo centro cultural da cidade. A praça está limpa como banheiro de
madame e o casario secular, antes abandonado, recebeu pintura nova - e
colorida. As casas viraram restaurantes, lojas de artesanato e ateliês.
Toda semana, a partir da quarta-feira, vários shows regionais rolam por
aqui durante a noite.
O que eu assisti mais recentemente foi o do serelepe
Mestre Salustiano, um músico de 54 anos - pernambucano, lógico -, que
toca, canta e se remexe tanto que parece que vai partir ao meio. E por
pouco não perdi o espetáculo. É que eu estava caminhando,
despretensiosamente, pelas ruas do Recife Antigo, admirando os casarões
e sem a menor vontade de sair dali, quando ouvi aquele som
inconfundível. "Isso é o Mestre Salu", pensei. E era.
Lá estava o homem, com uma energia de menino, fazendo as pessoas
dançarem até o corpo pedir misericórdia - como ele não pede, a
algazarra cultural continua. Entrei na festa e a brincadeira só parou
quando o sol deu bom dia. A propósito, se, quando estiver por aqui,
você topar com Salu, diga que mandei um abraço.
O sol, que já tinha dado as caras no Pátio de São
Pedro, parecia ter resolvido gastar toda sua energia num único dia (no
Recife, é sempre assim). Estava de torrar o couro, como se diz por
aqui. Com o mar de Boa Viagem, verdinho que dá gosto, na minha cara,
fiquei sem opção. Fui para a praia e aproveitei o melhor de Boa
Viagem. E você vai fazer o mesmo. Aqui, não há mistério. Fique em
frente ao edifício Akaiaka - é só perguntar que todo mundo
ensina. É a faixa de areia mais animada dos 10 quilômetros da
orla recifense. Algumas ostras, um caldinho de peixe e a tradicional
água de coco caem bem. E, graças a um batalhão de garis, que recolhe
o lixo da areia durante a madrugada, a praia está mais limpa - outra
boa nova para o forasteiro.
Mas, se você é do tipo ultra-exigente, vou lhe
dar mais um ótimo motivo para vir ao Recife. Em menos de uma hora de
carro, dá para sair daqui e chegar a praias belíssimas, como Calhetas
e Porto de Galinhas, ao sul, e Maria Farinha e Itamaracá, ao norte.
Mais alguns minutos de estrada em direção ao sul e chega-se a outros
lugares fascinantes, como a Praia de Carneiros - uma das mais belas do
Brasil - e a bucólica Praia do Porto, que tem uma ilhota de pedra, com
um coqueiro solitário no meio. Até parece coisa de desenho
animado.
Como nessas praias não há muito o que fazer à
noite - sem mencionar Porto de Galinhas, que já tem um monte de bares e
restaurantes -, o negócio é ficar por algumas horas, reforçar o
bronzeado, descansar o corpo no balanço sereno do mar e voltar para o
Recife, a tempo de se divertir na noite. Mas não pense que vai ser
fácil. Deixar Calhetas e Maria Farinha, por exemplo, requer um esforço
mental digno de monge tibetano. Não esqueça que o Recife Antigo, os
barzinhos e a Praia de Boa Viagem lhe esperam. Então, aproveite e curta
enquanto é tempo. Pois, quando menos esperar, você já estará no
avião, voltando para casa. Nesse momento, vai entender exatamente o que
aquele vendedor de Boa Viagem queria dizer com "quem vem
gosta". E, então, concordará comigo. O meu Recife - que agora
é um pouco seu também - é apaixonante. E está cada vez
mais lindo.
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